Rainbow Rowell – Eleanor & Park

Eleanor & Park
Rainbow Rowell
Editora Novo Século, 2014
328 páginas

Saraiva

Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Em meados dos anos 80, Park estava sentado dentro do ônibus escolar, lendo gibis e tentando se tornar invisível. A galera do fundão sempre fazia bagunça, em especial Steve, que incomodava todas as crianças que não eram de sua turma, mas Park tentava permanecer na sua. Dessa forma, ninguém o incomodava. Para Eleanor, era o temido primeiro dia em uma escola nova, em uma cidade onde não conhecia ninguém. Para Park, a menina pareceu grande, esquisita, desengonçada, até. Ele tinha um espaço livre no banco ao lado, mas não queria abrir mão de sua liberdade para dar espaço a… ela. Depois de vários minutos de indecisão, Park resolveu mandá-la sentar ao seu lado, pois ela estava visivelmente perdida. As coisas não começaram bem, até porque Eleanor, definitivamente, não fazia o tipo de Park. Ele, magro de cabelos pretos e olhos puxadinhos de coreano. Ela, grande de cabelos ruivos desarrumados e roupas esquisitas.

O destino é uma coisa engraçada, definitivamente. É justamente onde a gente pensa que não pode surgir um amor que ele surge. Eleanor e Park não tinham muito em comum, mas ao mesmo tempo tinham muita coisa. Park emprestou gibis e CDs para Eleanor – além das pilhas. Eleanor tinha o CD player, mas não tinha pilhas. Eleanor não tinha muito a emprestar a Park, mas deu o seu coração, embora nunca tenha admitido em voz alta.

Com um enredo que mistura um amor puro, juvenil e sem maldades, Rainbow Rowell acrescenta o drama da vida de Eleanor, e seu único problema: o seu padrasto. Richie bate na mãe da menina, chama Eleanor de nomes que não deveria chamar e grita com os quatro irmãos menores. Além disso, a casa onde vivem é tão pequena e apertada que as crianças precisam dormir todas juntas, e o banheiro fica no meio da cozinha, praticamente. Eleanor tem vergonha dessa situação, e não quer compartilhar isso com ninguém. Também não queria se envolver com alguém por causa disso, mas a proximidade dela com Park foi algo muito forte, inevitável e de uma hora para outra.

“Assim que ele disse isso, ela abriu um sorriso. E, quando Eleanor sorriu, alguma coisa se partiu dentro dele. Isso sempre acontecia.”

“Não sou mais minha, sou sua; e se você resolver que não quer mais me ver? Como pode me querer como eu quero você?”

A forma como Rainbow leva esse romance é o que faz toda a diferença. Ao invés de explicar ao leitor exatamente o que acontece nas mentes e sentimentos dos personagens, a autora descreve pequenos atos, olhares e gestos que falam por si e transmitem a mensagem que muitos parágrafos não expressariam, deixando claro ao leitor o que eles sentem um pelo outro. Mãos que se encostam pela primeira vez, o cheiro de baunilha de Eleanor, a franja de Park que insiste em lhe cair nos olhos. São os pequenos detalhes que deixam essa história ainda mais bonita.

“Quando tocou a mão de Eleanor, ele a reconheceu. Ele soube.”

É um livro lindo, com uma história de amor fofa e um pouquinho nerd. Gostei dos dois personagens, apesar de não ter conseguido visualizá-los muito bem e a Eleanor me irritar um pouco às vezes, e fiquei triste junto com a menina quando ela sofria com maldades na escola. É uma leitura leve, que aborda questões como o bullying de forma inocente e com efeito. Eu só não gostei do final – e tenho certeza de que todos que leram têm a mesma opinião. Ai, que agonia! Odeio finais que ficam em aberto, sem um fim, e por isso tirei uma estrela da classificação (não me joguem pedras, por favor!). Mesmo assim, me arrisco a recomendar, pois a história vale a pena. Só não me culpem quando vocês terminarem a leitura e sentirem que lhes falta um pedacinho no peito.

“Sinto sua falta, Eleanor. Quero ficar com você o tempo todo. Você é a garota mais inteligente que já conheci, a mais engraçada, e tudo que você faz me surpreende. E gostaria de poder dizer que esses são os motivos pelos quais gosto de você, porque isso me faria parecer um ser humano muito evoluído… Mas acho que tem mais a ver com seu cabelo ruivo e suas mãos macias… E com o fato de você ter cheirinho de bolo de aniversário.”

Essa foi uma das resenhas mais difíceis de escrever, então provavelmente eu não consegui expressar tudo o que penso sobre o livro. Quem aí já leu, concorda com a minha opinião?

Download: Calendários de 2015 pra você imprimir!

Oi, pessoal! Tá tudo certinho com vocês?

Eu espero que sim, mas se não estiver vai ficar agora, pois eu tenho uma coisa muito bacana aqui: os calendários de 2015 do Fluffy! Estou vendo a empolgação de vocês daqui, hein! HAHA! Finalmente consegui gravar um vídeo para apresentá-los a vocês e dar uma dica de como deixa-los bem bonitos para usar durante o ano, e está tudinho aqui nesse post. Então, vem cá que te mostro!

Serão três modelos de calendário: o horizontal, que vocês já conhecem, o vertical, um modelo de formato e ideia diferentes e o calendário de mesa, que fica muito fofo. Olha só que lindinhos:


Coleção completa, com os três modelos.


Calendário horizontal, o mesmo modelo de 2014 que vocês já conhecem.


Lá atrás, tem o calendário vertical, uma versão alternativa um pouquinho diferente.


E o mais fofo de todos, na minha opinião, o calendário de mesa. Mostrar mais

Follow Friday #49

Tarda um pouco, mas não falha (ok, às vezes falha, mas não dessa vez)! Está no ar o Follow Friday do Fluffy! Mas antes de vocês começarem a adicionar seus links, vamos fazer um resumo do que rolou aqui no blog essa semana?

Final de ano é sempre a maior loucura. Esse ano, especificamente, está sendo quase fora de controle, mas finalmente terminei as festas e compromissos na quarta! Sendo assim, só teve três posts por aqui, mas eles estão bem bacanudos. Tivemos os dois últimos posts do Diário de Viagem (e eu já estou com saudade), sobre Long Beach e a Disney California Adventures, e teve a resenha do livro “A vez da minha vida“.

Vou aproveitar a oportunidade e repetir o que já disse na fanpage: aos que usaram os calendários mensais do Fluffy em 2014, aguardem mais um pouquinho que terá novidades em 2015! Já estou com todos os modelos prontos (serão 3!), e quero gravar um vídeo pra mostrar algumas dicas de como deixar ele ainda mais bacana. Só preciso de tempo pra filmar, e cadê? [cry] Mas eu prometo que o post vai ao ar até o final do ano, com vídeo, link de download e tudo bonitinho.

Recados dados, agora vamos divulgar! Adicione o seu melhor post da semana aqui abaixo (ou o link do seu blog), e não se esqueça de visitar os blogs que já estiverem por aqui. A ideia é fazer uma grande rede de blogueiros, porque essa blogosfera é muito amor, né? [heart] O Follow Friday fica aqui até domingo, e você tem tempo até lá para adicionar o link, então aproveite! [wink]


Diário de Viagem: Disney California Adventures

O Diário de Viagem é uma série de posts que fala sobre a minha viagem aos Estados Unidos, em agosto de 2014. Passei 17 dias entre San Francisco, Los Angeles, Las Vegas e várias cidades próximas. Os posts consistem em dicas do que vi, do que gostei, do que achei que vale muito a pena e também do que não consegui conhecer por falta de tempo, mas que todos recomendam.

O meu relato não é muito vasto, pois passei, no máximo, três dias em cada uma das cidades maiores, e apenas de passagem pelas “menores”, como Santa Monica, Venice e Monterey. Então, o meu objetivo não é oferecer um guia completo sobre essas regiões, pois conheci pouco sobre cada uma delas, mas sim contar como foi a minha experiência, e se, um dia você for visitar esses mesmos lugares, possa levar algumas dicas daqui.

Para visitar todos os posts do Diário de Viagem, é só acessar a página especial clicando aqui.


Segunda-feira, 18/08/2014

Pra fechar a viagem com chave de ouro, fomos à Disney! Desde que começamos o planejamento da viagem, eu disse que queria ir para o parque da Disney. Na Califórnia, existem duas opções: a Disneyland e a Disney California Adventures. O primeiro é o que tem o castelo, as princesas, personagens e os fogos de artifício no final do dia. No segundo, tem brinquedos mais “radicais”, e é onde estão a montanha russa, a roda gigante e as rochas que são iluminadas com luzes coloridas ao anoitecer. Como somos mais “crescidinhos”, optamos por ir no Adventure. Chegamos cedo, assim como no parque da Universal Studios, e o local ainda estava bem vazio, e aproveitamos para começar a rota de atrações pelo mapa que ganhamos na entrada.

Acho que é normal fazer comparações quando se vai em dois parques numa mesma viagem (no nosso caso, fomos à Universal e à Disney). Mas um é diferente do outro: o parque da Disney possui menos 3D, menos aventura, mas é igualmente bom e eu recomendo tanto um quanto outro. Se você procura muita aventura mesmo, talvez goste mais da Universal, mas a montanha russa não deixa nada a desejar nesse quesito. Sérião!

Consegui separar 20 fotos do “dia da Disney” pra mostrar pra vocês (e sério, foi bem difícil porque nós temos cerca de 500 cliques). Vou contando um pouco sobre as atrações e deixar as fotos, ok? É claro que tem muito mais coisas pra fazer lá, mas é difícil fazer tudo num dia só – até por causa do tempo gasto nas filas e tudo o mais. Por isso, vou falar do que fizemos e do que foi bem bacana. Ok?


Hey hey olá! Cheguei! É claro que usei minha nova camiseta do Mickey pra ir à Disney!


Corredor fofo na entrada do parque.


Brinquedo do Monstros S.A. Era um carrinho em que fomos levados para dentro da fábrica. Além de várias coisas que vimos, na minha mente ficou em destaque as portas deslizando por todos os lados. Sabe? Bem igual de como é no filme. Achei muito legal!

Agora vale reservar um parágrafo para a Hollywood Tower Hotel. Trata-se de um suposto hotel mal-assombrado, onde as pessoas morreram dentro do elevador de serviços. Eles nos levam a vários cômodos incrivelmente bem mobiliados e decorados para parecer de terror e passam um vídeo, contando a história daquelas pessoas. Mesmo sem ter adentrado o local da fila para o elevador, já queria sair! Passamos por vários locais e, por fim, uma espécie de galpão grande, com ferros e estrutura antiga, para as filas do elevador. São oito filas de cadeiras com um corredor no meio, e nós quatro sentamos bem na frente de um dos lados. Aí começa a coisa toda: o elevador sobe, desce, sobe, sobe, desce e VUM vai lá no topo do prédio pra você ver o quão alto está. Ali, com cara de abobados, eles tiram uma foto. Aí VUUUUM desde de novo. Juro que chorei de tanto rir!
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Cecelia Ahern – A vez da minha vida

A vez da minha vida
Cecelia Ahern
Editora Novo Conceito, 2012

Certo dia, quando Lucy Silchester volta do trabalho, há um envelope de ouro no tapete. E um convite dentro dele para se encontrar com a Vida. Sua vida. Pode soar peculiar, mas Lucy leu sobre isso em uma revista. De qualquer forma, ela não pode ir ao encontro: está muito ocupada desprezando seu emprego, fugindo de seus amigos e evitando sua família. Mas a vida de Lucy não é o que parece. Algumas das escolhas que fez — e histórias que contou — também não são o que parecem. Desde o momento em que ela conhece o homem que se apresenta como sua vida, suas meias-verdades são reveladas totalmente — a não ser que ela aprenda a dizer a verdade sobre o que realmente importa. Lucy Silchester tem um compromisso com sua vida — e ela terá de cumpri-lo.

Sabe aquele livro que você começa a ler sem esperar grande coisa, e ele te surpreende? Foi exatamente assim com A Vez da Minha Vida, escrito pela autora de P.S. Eu te amo, Cecelia Ahern, e publicado pela Novo Conceito. O livro já estava na minha lista de leitura há um bom tempo, e eu acabei deixando-o para depois; talvez a capa, o nome ou a sinopse não tenham me instigado, não sei. O fato é que, quando comecei, não conseguia mais parar de ler.

Cecelia tem uma forma muito divertida e irreverente de escrever este livro, em primeira pessoa, retratando a vida de Lucy Silchester. A moça, que leva uma vida ótima, segundo ela mesma, está, na verdade, cada vez mais no fundo do poço: mente para todos, mesmo sem motivo, para esquivar-se das coisas; tem um emprego que detesta e mora em um cubículo que fede a peixe e não é limpo há anos; tem um gato (de sexo indefinido, mas que ela resolveu chamar de Senhor Pan), mesmo que o prédio não permita animais; não se entende com a sua família, muito menos com seu pai, que já deixou bem claro que não gosta dela. Ufa, a lista é ainda mais longa, mas já deu pra ter uma ideia, certo? Só que todo esse desastre não começou de uma hora pra outra: vários acontecimentos e histórias inventadas levaram-na a isso, e ela não pretende mudar.

Só que, um dia, ela começa a receber cartas para marcar um encontro com sua Vida. Como de costume, ela ignora uma dezena delas, porque afinal, ela é muito ocupada com todas as suas coisas, mas um dia, pela insistência, resolveu agendar o horário. Após conhecer sua Vida e tomar conhecimento de algumas verdades que não enxergava sobre sua própria existência, ela começa a perceber que sim, algumas coisas poderiam ser mudadas. Mas mudar é tão difícil, e Lucy é tão preguiçosa…

Pode parecer que a história é chata e monótona quando lemos o que ela aborda, mas eu garanto a vocês: em nenhum momento eu deixei de gostar da leitura. Ela foi ótima do começo ao fim, e a autora conseguiu traçar uma história cheia de vaivéns, mostrando que uma pequena mentira pode tornar-se uma imensa bola de neve aparentemente impossível de ser desfeita.

Com a ajuda de Vida, acompanhamos Lucy dar um jeito em tudo o que está errado sobre ela de uma forma muito engraçada. Me vi rindo muitas vezes por conta do humor inteligente de Lucy e alguns personagens. Cecelia soube construir uma história engraçada, mas que, no final das contas, diz muito sobre nós mesmos, se pararmos para refletir por um momento. “Enquanto você está por aí, sua vida também está”. O livro entrou para os meus favoritos do ano, e recomendo a todos vocês, que adoram uma leitura leve, divertida e que, de quebra, ainda tem algumas pequenas lições para darmos mais valor à nossa vida e ao que estamos fazendo com ela.

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