Harriet Logan – Mulheres de Cabul

resenha do livro mulheres de cabul

Mulheres de Cabul
Harriet Logan
Editora Geração Editorial, 2006
128 páginas

O livro ‘Mulheres de Cabul’, da premiada fotógrafa inglesa Harriet Logan, amplia, de maneira mais realista, o universo afegão. […] Trata-se de uma reportagem viva, emocionante, quase inacreditável, que supera qualquer ficção. Harriet visitou o Afeganistão para ouvir e fotografar dezenas de mulheres durante o regime do Taleban e depois dele. Durante o regime do Taleban, de setembro de 1996 a outubro de 2001, as mulheres do Afeganistão foram submetidas a absurdas leis repressoras, como não poder trabalhar fora nem freqüentar escolas. Era proibido rir em público, ouvir música, empinar pipas, e fotografias eram consideradas formas de idolatria. Foi nesse mundo de trevas que Harriet Logan mergulhou em busca de histórias e imagens humanas e dolorosas, quinze meses depois que o Taleban havia assumido o controle do Afeganistão. Era uma missão perigosa, mas o risco valeu a pena.

Desde quando Ii “O Caçador de Pipas”, lá pelo ano de 2011, tenho vontade de ler “Mulheres de Cabul”, que trata de um tema similar dentro do Afeganistão. Com o tempo, acabei desistindo da leitura, mas na resenha de “Em busca de um final feliz”, a Carla me falou sobre ele, o que me despertou a curiosidade novamente. Me lembrei que ele estava disponível aqui na biblioteca da empresa e, sem pensar duas vezes, peguei emprestado.

A autora, Harriet Logan, é uma fotógrafa inglesa conhecida por suas fotografias de impacto, e por ser resistente frente a um depoimento ou história de pessoas que sofreram ou sofrem de alguma forma. Na primeira vez que foi ao Afeganistão, em 1997, ela conheceu algumas mulheres, conversou com elas e fotografou-as, mesmo perante o regime submisso do Taleban que proibia, entre tantas coisas, a fotografia. Em 2001, ela retornou ao país após a queda do grupo, considerado como muitos como terrorista, e pôde reencontrar algumas daquelas mulheres e conhecer outras.

O livro é uma coleção de depoimentos e relatos vívidos sobre a opressão e o sofrimento das mulheres afegãs, que não tinham direitos iguais aos homens (e até hoje não têm) e eram tratadas de forma brutal, às vezes sem motivo algum. É de doer o coração e é difícil de acreditar em tudo o que é dito e admitido nessas páginas. Mulheres que eram agredidas por deixar um pedaço do tornozelo à mostra, por mostrar uma pequena mecha de cabelo ou por rirem ou conversarem em público. Às vezes, elas faziam escondido coisas que não podiam (como estudar ou trabalhar) e, quando pegas, o Taleban as agredia e agredia seus maridos, como forma de punição.

A lista é longa, sofrida e difícil de engolir. Sabe, não dá pra acreditar que haja um lugar no mundo em que as pessoas, em especial as mulheres, sejam tratadas dessa forma, como se não fossem humanas, e sim apenas objetos. É indescritível a agonia que a gente sente enquanto toma conhecimento de tudo isso, e é difícil colocar em palavras esse sentimento.

Sei de uma mulher que, grávida, não conseguiu terminar essa leitura. Fiquei um pouco receosa quando soube, mas comigo isso não aconteceu. Não que eu tenha lido “numa boa”, mas não foi uma leitura traumatizaste. Consideraria como sendo algo para abrir os nossos olhos e perceber que a nossa realidade é, na verdade, maravilhosa. Se você quiser conhecer um pouco da realidade do que acontece longe dos nossos olhos, leia esse livro. Você vai se admirar ao descobrir como a vida nesses países é diferente da nossa e ainda se maravilhar com belas fotografias tiradas pela autora.

Repetindo o pedido das mulheres afegãs: não devemos nos esquecer delas, que sofrem e apelam para não serem abandonadas pelo resto mundo, pois já foram esquecidas no Afeganistão.

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8 comentários

  1. Responder

    Carla Vieira

    27/01/2015

    Olha eu ali hehe

    Fico feliz que gostou do livro, sei que é um choque de realidades, é assustador que existam pessoas que passem por isso, principalmente mulheres, eu fico me questionando como esses agressores dormem à noite… [omg] [omg]
    Infelizmente, nós nos sentimos impotentes, não podemos fazer muito para ajudá-las [sad]

    Enfim, adorei a resenha!
    Beijos

    • Responder

      Gabi Orlandin

      01/02/2015

      Obrigada pela indicação, Carlinha! Apesar de ser uma leitura um tanto triste, é bom de ler pra abrir os nossos olhos para o que há além de nosso mundo.
      Beijos.

  2. Responder

    Manu Furtado

    27/01/2015

    Oi Gabi!

    Tenho e li este livro há algum tempo e realmente é emocionante…em certos momentos ele chega a me lembrar “As boas mulheres da China”, da também jornalista Xin Ran. Tenho um interesse especial por relatos de outros povos, ainda mais escritos por jornalistas…e por isso, ao acabar a leitura deste livro, acabei encontrando “O livreiro de Cabul” ( a autora é especializada em relatos de países em guerra, como Iraque e Bósnia também) e também “Cabul no Inverno”. Se quiser continuar sabendo mais sobre este povo…recomendo!
    Bjks [wink]

    • Responder

      Gabi Orlandin

      01/02/2015

      Oi, Manu!
      “O livreiro de Cabul” é mais um desses livros que estavam na minha lista de leitura há um tempo e depois acabei desistindo. Vou ler também, e depois dou uma olhada em “Cabul no Inverno”. Obrigada pela indicação!
      Beijos.

  3. Responder

    Jessica M

    27/01/2015

    Olá, Gabi!
    Nossa, o livro tem uma temática muito forte! Eu gosto bastante de ler coisas desse tipo para poder despertar de uma realidade diferente da nossa, que não estamos acostumados a vivenciar. Sempre comento aqui em casa como deve ser complicado nascer num país assim, e às vezes fico até pensando, mas poxa, ninguém nunca tentou mudar isso?!
    Fiquei curiosa pra ler!
    E como assim, sua empresa tem biblioteca?! Haha, me manda o endereço que quero trabalhar aí kkk [lol]
    Beijos!

    • Responder

      Gabi Orlandin

      01/02/2015

      Oi, Jess!
      Também gosto desses tipos de livro pra “abrir nosso horizonte”.
      Sim, na minha empresa tem empréstimo de livros! Eles fazem uma parceria com uma das bibliotecas públicas da cidade, e a cada 6 meses essa biblioteca deixa cerca de 30, 40 livros na minha empresa para os funcionários retirarem pra ler. Demais, né? Todos os dias eu passo em frente à estante e fico admirando hahah! Quer me enviar seu currículo? ahhaha!
      Beijos!

  4. Responder

    Dyana Colares

    29/01/2015

    Oi, Gabi!

    Sou muito fã de livros com essa temática. Sei que são livros pesados, de leitura difícil, mas eu gosto bastante. É esse tipo de livro que me faz ver, que nem você disse, como nossa realidade é maravilhosa.

    Recomendo também Sold, O Livreiro de Cabul e A Casa do Céu. São excelentes e ambientados no Oriente Médio também. 🙂

    Beijos!

    • Responder

      Gabi Orlandin

      01/02/2015

      Oi Dyana!
      Eu também gosto, apesar de serem leituras um tanto tristes.
      Eu já li “A Casa do Céu” e amei. É bem chocante, mas muito recomendado. E “O livreiro de Cabul” entrou para a lista das próximas leituras.
      Beijos.

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