Ashley Edward Miller e Zack Stentz – Colin Fischer

resenha do livro Colin Fischer

Colin Fischer
Ashley Edward Miller e Zack Stentz
Editora Novo Conceito, 2014
176 páginas

O ano letivo de Colin Fischer acabou de começar. Ele tem cartões de memorização com expressões faciais legendadas, um desconcertante conhecimento sobre genética e cinema clássico e um caderno surrado e cheio de orelhas, que usa para registrar suas experiências com a MUITO INTERESSANTE população local. Quando um revólver dispara na cantina, interrompendo a festinha de aniversário de uma das garotas, Colin é o único que pode investigar o caso. Está em suas mãos provar que não foi Wayne Connelly, justamente aquele que mais o atormenta, que trouxe a arma para a escola. Afinal de contas, a arma estava suja de glacê, e Wayne não estava com os dedos sujos de glacê…

Imagine um cara que consegue raciocinar com a velocidade de Sherlock Holmes. Agora imagine esse Sherlock com 14 anos, síndrome de Asperger e completamente descoordenado para atividades físicas, como o basquete – a não ser que possa calcular o ângulo e a distância do aro antes do arremesso. Imagine que ele não goste do toque humano (a não ser que seja antecipadamente avisado sobre ele), que possui um caderno para escrever tudo o que ache interessante – ou desenhar expressões faciais – e que durante muitos anos andou com Marie para todo lado, a pessoa cujo trabalho era auxilia-lo a “enfrentar o que fosse inesperado, perigoso ou potencialmente perturbador”. Esse é Colin Fischer, recém ingressando no ensino médio.

O que mais surpreende (além da capa, que tem TUDO a ver com a história) e faz deste pequeno livro uma leitura singular é a evidente inocência de Colin, que não entende uma pergunta retórica da mesma forma que tem uma explicação completa, séria e fundamentada para tudo o que lhe perguntam. E, claro, tem um raciocínio, observação e cálculo rápido como seu ídolo e já mencionado, Sherlock Holmes. Outra coisa muito engraçada em Colin é a sua mania de comer as coisas separadamente no prato, e nada que seja “molengo”.

“- O problema não o açúcar, é a textura. O bolo é viscoso e mole, e eu não gosto de alimentos macios. – Colin indicou a maçã, os pretzels, as cenouras e o aipo dispostos à sua frente. Estavam todos organizados pela cor, de acordo com sua posição no espectro. – Gosto de alimentos crocantes.” Página 48.

Ao mesmo tempo em que a leitura diverte, ela também ensina: Segundo a Wikipedia, a síndrome de Asperger “é um transtorno do espectro autista, diferencia-se do autismo clássico pelo portador ter fala compreensível. […] Algumas características dos Aspergers são: dificuldade de interação social, dificuldades em processar e expressar emoções […], interpretação muito literal da linguagem, dificuldade com mudanças em sua rotina, pessoas desconhecidas, ou que não veem há muito tempo, comportamentos estereotipados.” Podemos perceber que o personagem Colin Fischer apresenta todas essas características, mostrando ao leitor, de forma simples e clara, os sintomas de uma condição que muitas vezes impõem à pessoa possuidora situações constrangedoras como, entre a mais comum e polêmica, bullying no ambiente escolar.

O livro é escrito em terceira pessoa, mas podemos acompanhar os pensamentos de Colin enquanto ele escreve lembretes e “fatos” em seu Caderno. Somente o início de cada capítulo é escrito em primeira pessoa, pois neles lemos pensamentos de Colin, como uma pequena crônica sobre as coisas que ele acha interessante, dilemas complexos, escritores e pessoas ilustres que inventaram coisas incríveis, e, claro, matemática. Às vezes, essas partes podem se tornar um tanto cansativas, mas nunca além do ponto, pois é interessante, leve e engraçado, e ainda agrega conhecimento acerca das pessoas que possuem algum tipo de autismo (ou subcategoria dele, como Colin diz). Mais do que um livro curtinho, Colin Fischer merece ser lido.

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2 comentários

  1. Responder

    Divana

    25/05/2014

    Oi Gabi, tudo bem?
    Achei a sua resenha muito interessante.
    Quero muito ler esse livro porque nos ensina muitas coisas, inclusive em como lidar com pessoas que tem essa síndrome.
    Um dos motivos de ter gostado da sua resenha é que não abordou o fato da aventura de Colin como detetive na escola. Muitas resenhas que li acharam esse fato relevante, mas Colin é um gênio, não é verdade?
    Abraços e uma ótima semana.

  2. Responder

    Camila Lacerda

    25/05/2014

    Uaaau… havia visto apenas uma resenha dele e olha, com certeza é um livro que entrou agora em minha lista 🙂
    Ótima resenha..
    Fico sempre babando nesse layout e na organização <3

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