Trudi Canavan – A Aprendiz: A trilogia do Mago Negro, livro 2

resenha do livro a aprendiz o clã dos magos

A Aprendiz
A trilogia do Mago Negro, livro 2
Trudi Canavan
Editora Novo Conceito, 2012
544 páginas

Submarino Americanas

Sozinha entre todos os aprendizes do Clã dos Magos, somente Sonea vem de uma classe menos privilegiada. No entanto, ela ganhou aliados poderosos, como Lorde Dannyl, recentemente promovido a Embaixador. Ele terá, agora, de partir para a corte de Elyne, deixando Sonea à mercê dos boatos maliciosos e mentirosos que seus inimigos continuam espalhando… até o Lorde Supremo entrar em cena. Entretanto, o preço do apoio de Akkarin é alto porque, em troca, Sonea deve proteger seus mistérios mais sombrios. Enquanto isso, a ordem que Dannyl está obedecendo, de buscar fatos sobre a longa pesquisa abandonada de Akkarin sobre o conhecimento mágico antigo, o está levando a uma extraordinária jornada, chegando cada vez mais perto de um futuro surpreendente e perigoso.

Depois de terminada a leitura do primeiro livro da trilogia Mago Negro, intitulado “O clã dos magos”, não tinha como esperar para ler o segundo. As reviravoltas da história e toda a trama criada por Trudi Canavan têm o poder de conquistar os leitores. Agora, tendo terminado o segundo livro, “A Aprendiz”, estou louca de curiosidade para saber como essa história vai terminar.

No primeiro livro, Sonea descobre que tem poderes mágicos escondidos dentro de si. Mas não foi somente ela que presenciou o ataque de magia que desprendeu de suas mãos: os magos também viram. Sendo ela um perigo para todos que a rodeiam e para si mesma, o clã a procurou freneticamente pelas favelas, enquanto ela fugia e se escondia nos lugares mais remotos e subterrâneos. Porém, nem a ajuda de seus amigos e dos Ladrões conseguiu escondê-la: ela foi encontrada e, por fim, levada ao Clã.

Neste livro, Sonea está em seu primeiro ano como aprendiz na Universidade dos Magos, e sendo a primeira e única pessoa vinda das favelas dentre todos os estudantes das Casas, ela sente-se sozinha, e não consegue fazer amigos: os que não a olham com nojo, a evitam, como se fosse um inseto ou algo pior. Mas o ponto alto deste livro está em um personagem em especial: Regin.

Regin é de uma Casa e, como tal, não aprova que o Clã aceite uma habitante das favelas entre seus aprendizes. Como ele não pode fazer nada contra isso, junta os amigos e comparsas para complicar a vida de Sonea nas aulas, no Alojamento e aonde quer que a encontre. Sem ter a quem recorrer, Sonea pede ajuda ao único que pode contar: Rothen. Como seu guardião, Rothen tem a obrigação de ensina-la e ajuda-la a passar por tudo nos anos que se seguem. Porém, segredos antigos, descobertos sem querer, vão chegar a ouvidos errados e, em um curto espaço de tempo, tudo o que estava andando nos trilhos acaba descarrilhando, e Sonea se vê ainda mais perdida, com algumas decisões em sua mão – que, inevitavelmente, podem decidir o futuro do Clã.

Fica muito evidente em “A Aprendiz” a grandeza da diferença social e, consequentemente, do descaso que sofrem as pessoas menos favorecidas, que não vieram de famílias com nomes e reputações a zelar. Sonea, como se não tivesse o segredo para lidar, ainda precisa preocupar-se com as trapaças dos outros aprendizes. O final do segundo livro deixa muitas coisas em aberto para o terceiro, mas o maior deles é o segredo que Sonea e outras duas pessoas guardam, que pode mudar o rumo do clã e das pessoas mais importantes dele.

A protagonista, que no primeiro livro da trilogia era uma pessoa muito arraigada aos seus preconceitos, está mais madura e confiante em si mesma e em seus poderes, o que dá uma melhorada evidente na leitura. O livro flui naturalmente, assim como o primeiro, mas este me pareceu ser melhor de acompanhar, pela protagonista, como disse, e porque já conhecemos o cenário onde se passa a história. Se você começou a leitura e parou, desanimado, eu digo: não desanime, pois a história cresce de uma forma que, quando você percebe, já leu muitas páginas e ainda deseja saber mais. Agora, estou curiosa para saber o que o terceiro e último livro, “O Lorde Supremo”, reserva para a história de Sonea e seus amigos.

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2 comentários

  1. Responder

    Ace Barros

    09/10/2014

    Oi Gabi!
    Como já falamos quase tudo nos comentários nas resenhas um do outro vou tentar falar de pontos que não abordamos.
    Além de Sonea, outro personagem que tem um conflito e uma evolução grande dentro da história – principalmente a partir de A Aprendiz – é Dannyl. A forma como desbrava outras culturas dentro do mundo criado pela autora e como se auto-descobre é muito bacana de se ver. A relação dele diante de outras realidades, seus medos e desafios são praticamente uma nova trama a parte de seu verdadeiro papel de investigar o Lorde Supremo. Foi o personagem que mais gostei.
    Já o que gostaria de ter visto mais seria Ceri. Achei muito pouco o real envolvimento dele com tudo e seu desenvolvimento é um pouco rápido.
    É isso. 🙂
    Saudações!

    Ace Barros
    Capitão do drakkar Interlúdio, navegando pelo Multiverso X
    multiversox.com.br

    • Responder

      Gabi Orlandin

      11/10/2014

      Ace, também gostei muito do desenvolvimento de Dannyl na história, e gostei de conhecer todos os personagens que vieram através das suas andanças pelas outras terras. Gostei muito do amigo dele também, que não me recordo o nome mais (faz tempo que li essa série). Confesso que me senti até um pouco perdida nas partes do Ceri, pois foram realmente poucas e pouco aprofundadas. As partes que eu mais gostava na trama eram as que acontecia dentro do Clã.
      Abraços.

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