As primeiras quatro estações, de Fernanda Witwytzky, é um daqueles livros que encantam antes mesmo da primeira página ser lida. O cuidado com o projeto gráfico chama atenção logo de início: capa dura, impressão colorida, encadernação delicada, fita marca-páginas e ilustrações que acompanham a troca de capítulos. Tudo convida à leitura com calma, como quem segura algo precioso nas mãos. Foi amor à primeira vista.

As Primeiras Quatro Estações
- Autoria:
- Fernanda Witwytzky
- Editora:
- Thomas Nelson Brasil
- Ano de lançamento:
- 2021
- Gênero:
- Maternidade
- Páginas (nº):
- 148

Ao longo da minha maternidade, escolhi leituras que dialogassem com cada fase vivida. No nascimento da minha primeira filha, li 60 dias de neblina. Na gestação da segunda, O ano de ouro. Para o meu terceiro bebê, a escolha foi As primeiras quatro estações, e ela veio no momento exato.
As primeiras quatro estações, de Fernanda Witwytzky
O livro propõe uma leitura sensível do primeiro ano do bebê a partir das estações do ano. O inverno representa os três primeiros meses, um período mais silencioso, introspectivo e, muitas vezes, solitário. Em seguida, a primavera surge quando o bebê começa a interagir mais com o mundo, trazendo leveza e cor aos dias. O verão marca a fase das grandes descobertas, da introdução alimentar e da curiosidade crescente. Por fim, o outono encerra esse ciclo com um convite à colheita, ao olhar para dentro e ao fortalecimento da espiritualidade, tão facilmente deixada de lado diante da intensidade que é cuidar de um recém-nascido.
As primeiras quatro estações tem um viés cristão muito presente, fundamentado nas Escrituras e nas promessas de Deus. A maternidade é apresentada como um chamado, e não como um manual prático. Não há listas de tarefas ou orientações técnicas sobre cuidados com o bebê. Em vez disso, o livro oferece acolhimento, lembrando que a mãe não está sozinha nessa jornada. Ele reforça que é em Deus que encontramos força, sabedoria e sustento para atravessar essa fase tão desafiadora quanto transformadora. E era exatamente isso que eu buscava.
Depois de duas experiências intensas com o puerpério, a chegada do terceiro bebê encontrou uma mãe mais segura. Não vivi o mesmo impacto emocional das vezes anteriores. Ainda assim, senti um desejo profundo de viver esse tempo com mais presença, de me conectar comigo mesma, com meus filhos mais velhos e com esse bebê que está descobrindo o mundo agora.
Nesse contexto, As primeiras quatro estações foi um verdadeiro bálsamo. Um lembrete gentil de que tudo passa, de que as fases mudam e de que o bebê cresce rápido demais. O livro nos convida a viver o presente com mais consciência, com o coração voltado para Cristo, entendendo que só Ele nos dá a sabedoria necessária para atravessar cada estação da maternidade com plenitude.




Ao nos entregarmos à ansiedade de querer que o tempo passe rápido para que esta fase difícil acabe logo, caímos no engano do nosso século de achar que o tempo precisa nos servir.
Páginas 23 e 24
[…]Podemos pegar uma coberta, nos sentar confortavelmente com o nosso bebê, abraçá-lo, sentir o seu cheirinho e desfrutar do fato de ele caber em apenas um de nossos braços.
Passei então a orar por todas as áreas da vida deste neném, tanto as do presente como as do futuro. Orava por suas decisões, pelas pessoas que passariam em sua vida, por sua saúde e por sua vida no geral. […] as madrugadas, que pareciam tão pesadas, foram se tornando um momento nosso com Deus.
Páginas 56 e 57
É tempo de voltar a trabalhar? Então pediremos a Deus forças para ficar longe dos nossos filhos e para que os proteja enquanto não estivermos por perto. É tempo de ficar em casa com eles por um período integral? Então pediremos a Deus que nos dê forças para aguentar os desafios e sabedoria para lidar com este momento, sabendo que ele pode ser passageiro.
Página 66
Se eu queria filhos mais calmos e pacientes, eu precisava me tornar essa pessoa. Se eu queria um estilo de vida mais saudável e tranquilo para eles, isso precisaria começar em mim.
Página 126
Educar os nossos filhos é como plantar sementes que darão frutos não só agora, mas por muitos e muitos anos, de geração em geração. Educar é criar lembretes duradouros, para que os nossos filhos tenham a oportunidade de escolher um bom caminho quando não estiverem mais em nossa presença.
Página 127
