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Relato de parto • Otávio

Na madrugada de 30 de janeiro de 2026, uma sexta-feira, acordei de repente ao sentir um líquido escorrer. Quando me levantei, ele desceu pelas minhas pernas. Meu coração disparou: a bolsa estourou. Eu sabia que o parto estava próximo (estava com 40 semanas e 2 dias), mas a verdade é que nunca me sentiria totalmente preparada para aquele momento.

Liguei para minha médica. Ela me orientou a aguardar as contrações e, principalmente, tentar descansar. Uma longa jornada estava por vir. Cancelou todas as pacientes do dia e ficou à minha disposição. Eu teria consulta naquele dia para avaliar e, se necessário, fazer o descolamento de membranas. Pelo visto, talvez nem precisasse ir.

Pela manhã, uma das minhas doulas veio me avaliar. As contrações começaram tímidas, mas o líquido não parecia ser de bolsa rota. A tarde foi longa. Fiquei em casa esperando que as contrações evoluíssem, mas elas espaçavam cada vez mais. Minha ansiedade só aumentava.

No início da noite, as duas doulas voltaram com um teste. Confirmado: não era bolsa rota. Senti um misto de decepção e alívio. Eu queria que ele nascesse logo, mas também estava muito nervosa.

Depois da avaliação, pedi que realizassem o descolamento de membranas para tentar induzir o parto de forma natural. Assim que terminou, senti novamente um líquido escorrer, dessa vez em maior quantidade. Só de olhar, elas confirmaram: agora sim, a bolsa havia rompido. Meus olhos se encheram de lágrimas. Alegria, nervosismo, expectativa. Tudo ao mesmo tempo.

O início do trabalho de parto

Organizamos tudo para sair rapidamente. Sendo meu terceiro parto normal, sabíamos que poderia evoluir rápido. Antes de sair, eu, o Doug e as doulas fizemos uma oração. Pedimos proteção, calma e um parto tranquilo, cheio de paz, saúde e amor. Aquela oração acalmou meu coração. Eu estava pronta para conhecer o terceiro amor da minha vida.

Por volta das 20h, me despedi da Olívia e da Maitê com o coração apertado, dizendo que voltaria no dia seguinte com o maninho. Fomos de carro para Balneário Camboriú, com uma das doulas conosco. Ao chegar, preferimos ficar em um hotel próximo até as contrações se intensificarem.

No quarto simples do hotel, fiz exercícios, tomei banho e tentei descansar. Sempre fico muito cansada nos partos, e minha vontade é deitar, mesmo sabendo que isso não ajuda tanto na evolução. Minha doula foi incrível, presente como suporte físico e emocional o tempo todo.

Já na madrugada, por volta da 1h, comecei a sentir um peso intenso na pelve. O bebê havia descido bastante. As dores estavam fortes e ritmadas, e senti claramente que era hora de ir para o hospital.

O trajeto era de apenas cinco minutos de carro, mas pareceu muito mais. As contrações estavam ritmadas, próximas e intensas. Ao chegar, minha médica me esperava na porta. Ali, senti um alívio profundo. Depois de um primeiro parto induzido e um segundo apressado, nesse terceiro eu estava segura. Estava em boas mãos. Tudo ficaria bem.

Na sala de parto, as contrações se intensificaram rapidamente. Logo, o peso virou vontade de empurrar. Para mim, pareceram dez minutos, mas fiquei cerca de cinquenta minutos até o nascimento.

O nascimento

Otávio nasceu às 2h50 do dia 31 de janeiro de 2026, com 40 semanas e 3 dias. Pesava 3,720 kg e media 51 cm. Veio ao mundo em um parto natural, cheio da presença de Deus, cercado pelas pessoas que escolhi para estar comigo. Durante todo o processo, eu só pedia força a Jesus e agradecia por sentir que Ele estava ali.

Antes do Otávio, vieram a Olívia e a Maitê, e cada nascimento teve sua própria história. Por isso, eu idealizei muito esse terceiro parto. Queria que fosse de um jeito específico. Imaginei que eu reagiria diferente, que me sentiria diferente, que conseguiria conduzir tudo com mais controle. Mas, na hora, percebemos que não dominamos todas as coisas.

Eu achei que estaria no controle. Porém, na verdade, tudo sempre esteve nas mãos do Senhor, que foi à frente de cada detalhe. Nem tudo aconteceu como eu tinha imaginado. Ainda assim, ele nasceu com saúde, cercado de amor e tranquilidade. Está crescendo forte, saudável e cheio de vida.

E, no fim, é isso o que realmente importa.

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