Sabe, há vários anos, eu me divertia começando coisas novas o tempo todo. Por exemplo, há pouco mais de 10 anos eu comecei esse blog, despretensiosamente, sem perspectivas, sem ideias do que seria ou sobre o que escreveria. Não é um blog grande – está longe de ser, ou de querer se tornar – mas tá firme e forte até hoje. Naqueles tempos, eu pensava, criava, iniciava, projetava, colocava no papel e tornava algo vivo. Era “fácil”, a imaginação vinha solta, a certeza de que daria certo (sem saber o que era, de fato, o “certo”) tirava o lugar do medo e da incerteza.

Naquela época, eu não tinha medo de começar. Se fosse começar pra tropeçar, cair, levantar e começar outra vez, estava tudo bem. Eu faria isso. O importante é que eu tinha coragem de dar o primeiro passo. Não importa o que os outros iriam pensar. Eu achava minha ideia legal? Bora lá, tentar e ver o que vai acontecer!

Com o tempo, a vida adulta inseriu dúvidas na minha cabeça. O medo do julgamento alheio, as típicas frases que começam com “e se…”, a mania de esperar pelo dia perfeito para acontecer, a incerteza se daria certo, a insegurança de tomar decisões (de novo, o medo de fazer errado).

Comecei a não começar mais nada.

Passei a imaginar que a ideia era “boba”. Ignorei os sonhos, as vontades e até mesmo as pequenas ideias. Ou, às vezes, criava escondida pra não “passar vergonha” e acabava desanimando e desistindo. Afinal, qual a graça de criar algo se não pode compartilhar com as pessoas? Lá estavam o medo, a vergonha, a insegurança.

Por que a gente cresce e começa a pensar demais? Por que não podemos permanecer com a mente aberta, despida, aberta ao novo e imune ao julgamento e ao medo? Por que não podemos manter aquela mente criativa de criança, que não sente vergonha dos sonhos?

Temos medo de que nossos desejos pareçam fúteis. Que as coisas que fazemos, com prazer e alegria, sejam vistas como bobagem. Mas quem são eles para julgar o que nos faz feliz?

Quando foi a última vez que você fez algo que sempre sonhou, sem medo do que os outros iriam pensar? Quando você tirou uma ideia maluca do papel, pela última vez, independente de quão “sem noção” ela possa parecer? Não são as coisas que fazemos hoje que nos levarão adiante. O que nos leva adiante é o que faremos daqui pra frente. O que você faz agora, reflete quem você é no seu futuro.

Um brinde a novos começos.

Vou ali tirar uma ideia do papel, e já volto.

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