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Como despertar o gosto pela leitura nas crianças no Natal

Incentivar o gosto pela leitura nas crianças não começa com cobrança, e também não começa na escola. Começa em casa, no colo, na hora de dormir, com um livro que a criança escolheu porque achou a capa bonita.

Aqui em casa eu leio para as minhas filhas todas as noites. Todas. E não é porque eu sou disciplinada, é porque elas simplesmente não querem dormir sem ler. Virou parte do dia delas, como escovar os dentes. Mas isso não apareceu do nada, foi construído, um pouquinho por dia.

Elas sempre me viram lendo, organizando a estante, falando sobre livros, visitando livrarias. Elas observam, assim como qualquer criança. E hoje elas amam livros, e eu sou muito feliz por isso! Mas, mesmo que elas já gostem muito de livros, eu nunca deixo de incentivar, pra elas nunca perderem esse gosto.

Por que o Natal ajuda tanto nisso

Dezembro tem uma coisa que os outros meses não têm: as crianças estão animadas com tudo. Elas esperam surpresa, querem presente, gostam de contagem de dias para as férias, para o Natal, para as viagens, para a praia… Tudo vira evento.

Por isso, é o mês mais fácil do ano para transformar o livro em algo desejado. Não porque você vai dizer que ler é importante, mas porque o livro vai estar no meio da festa, e ela vai entender isso mesmo sem você falar nada. Um livro embrulhado, com etiqueta, no lugar onde outro presente normalmente estaria.

A criança que associa livro a coisa boa não precisa ser convencida depois.

Embrulhe os livros, um para cada dia

Essa é a ideia mais simples e a que funciona melhor: separe 24 livros e embrulhe cada um. Numere de 1 a 24, até a noite de Natal. Todo dia de dezembro, a criança desembrulha o livro daquele dia e vocês leem antes de dormir. E aqui tá o segredinho: o embrulho muda tudo. Um livro na estante é só um livro. Um livro embrulhado é uma surpresa, e a criança quer abrir.

Não precisa comprar 24 livros para isso. Dá para usar os que já estão em casa, pegar emprestado, repetir favoritos. Livro que a criança já ama e pede de novo conta, e conta muito. Aqui em casa temos vários livros, mas as meninas querem SEMPRE os mesmos! Alguns já sabemos até de cor!

E é exatamente essa a ideia por trás do Advento de Natal em Família, que eu criei para a loja do Fluffy. Cada dia tem uma missão simples para fazer junto, e a noite termina com a leitura do livro do dia.


Deixe a criança escolher

Essa parte é difícil para a gente, confesso. A gente quer que eles leiam o livro com a história que a gente gosta, mas eles querem ler pela oitava vez o mesmo livro, sempre e sempre e sempre. E é isso mesmo! A releitura é como criança aprende a amar um livro. Ela já sabe o que vem na próxima página e sente prazer nisso – é a rotina, a previsibilidade que criança ama. Se você interromper esse ciclo em nome da variedade, você troca o gosto pela leitura por um currículo.


Faça do livro um presente de Natal de verdade

Livro não precisa ser o presente chatinho que vem junto com o brinquedo. Ele pode ser o presente principal. Tenho muitos livros infantis em casa, e é por um motivo simples: livro é a única coisa que eu não nego quando as crianças pedem. Brinquedo eu penso, avalio, às vezes digo que fica para depois. Livro eu compro, e elas sabem disso. E isso ensina algo sobre valor sem que eu precise explicar nada.


Leia junto, mesmo quando ela já lê sozinha

Quando a criança começa a ler, dá aquela vontade de passar a tarefa para ela. Faz sentido, a gente está cansada no fim do dia. Mas ler sozinha é uma habilidade, e ouvir alguém ler é uma experiência. As duas coisas precisam existir ao mesmo tempo por um bom tempo ainda.

Além disso, ler em voz alta permite chegar em histórias maiores do que ela conseguiria sozinha. É ali que o gosto pela leitura cresce, não nas frases curtas do livro de alfabetização.


Aceite que alguns dias não vai rolar

Vai ter dia em que todo mundo dorme no sofá. Dia de febre, de viagem, de aniversário que acabou tarde. Isso não quebra nada. O que constrói o hábito é a repetição no geral, não a perfeição. Se faltar um dia, no outro vocês leem dois, ou leem só um livrinho curto. Eu falo isso porque em dezembro a chance de furar é maior, e seria uma pena desistir do ritual por causa de dois dias perdidos.


O que eu espero

Minhas filhas gostam de ler. E eu sei que boa parte disso veio de uma coisa bem pequena, repetida por anos: eu deito com elas na cama todas as noites e abro um livro (na maioria das vezes mais do que um).

Agora tenho um bebê aqui, ainda muito pequeno para entender qualquer história, mas ele já tem livrinhos de pano, de banho e já vê as irmãs com livro na mão. E eu espero muito que ele siga o mesmo caminho delas, de amar os livros.

Se você quer começar esse hábito na sua casa, dezembro é um ótimo mês para isso. Tem clima, tem expectativa e tem uma criança disposta a abrir qualquer coisa que esteja embrulhada.

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