O segundo e último volume da história de Vango foi lançado dois anos após o primeiro, de 2015. O rapaz finalmente termina a sua trajetória de perseguições e mistérios no livro “Um príncipe sem reino”, onde vive a iminência da Segunda Guerra Mundial e corre atrás dos segredos do seu passado e da vida vida inteira, ao mesmo tempo em que tenta se proteger das pessoas que querem o pegar a qualquer custo – e ele não sabe o motivo. Vamos ver o que achei deste livro?


Vango Um Príncipe sem Reino

Vango: Um Príncipe sem Reino
Vango #2
Timothée de Fombelle
Editora Melhoramentos, 2017
384 páginas

Neste segundo volume, numa sequência emocionante e cheia de aventura, romance e suspense, o autor multiplica as viagens de regresso no tempo e no espaço usando a mesma escrita dinâmica e não linear que tornou memorável o primeiro volume, Vango: entre o céu e a terra, deixando a dúvida sobre o passado do jovem que ainda não conhece o rosto de seus inimigos.

Sua história continua em 1936, no mesmo lugar em que, sete anos antes, vira Ethel desaparecer. Em meio a acusações infundadas, a fuga de Vango dessa vez é ambientada em um período que antecede a Segunda Guerra Mundial. A década de 1930 é devidamente transcrita com detalhes como a ascensão do nazismo e a ocupação alemã na França, o reinado de Josef Stalin na então chamada União Soviética, o declínio dos dirigíveis e a eclosão da Guerra Civil Espanhola. Hugo Eckener, comandante do Graf Zeppelin, ganha papel de destaque no desfecho da história e, assim como Zéfiro e Mademoiselle, carrega segredos cruciais que podem desvendar o verdadeiro assassino dos pais de Vango.

Por meio de lembranças e interrogações, Vango sente que seu passado esconde algo poderoso. Com uma pitada romântica e dramática, mais uma vez o autor nos leva para uma viagem ao redor do mundo e nos mostra que, em meio ao caos, existe amor, amizade e, acima de tudo, uma predestinação envolvendo passado, presente e futuro.

Preciso admitir que este foi um dos livros mais arrastados que já li até hoje. Não foi o pior, e está muito longe disso, mas o autor se apega tanto a detalhes minúsculos e descrições intermináveis, que a leitura chega a ficar cansativa. Muitas vezes, me perdi em meio a novos personagens e acontecimentos que, no meu ponto de vista, não tiveram grande diferença no rumo da história, e isso me irritou um pouquinho. Tanto que demorei um mês inteiro pra finalizar essa leitura, que normalmente eu faria em duas semanas. E, pra falar a verdade, eu não entendi na verdade tudo o que aconteceu. Me perdi no meio das páginas e acabei ficando sem entender algumas coisas. Ou simplesmente essas coisas não tiveram muito motivo para estarem ali. :|

Mas em meio a tudo isso, felizmente na metade do livro senti que a história começou a andar, e aí eu não conseguia parar de ler. Ou seja, me arrastei 50% da leitura e os outros 50% foram devorados vorazmente. Ao mesmo tempo em que o autor me irritou nas descrições demasiadamente grandes e detalhadas, preciso aplaudir sua capacidade de juntar fatos aparentemente aleatórios para, nas últimas páginas, nos brindar com a montagem dos quebra-cabeças e nos presentear com um final de tirar o chapéu. De novo: não sei se peguei todos os nós soltos, mas o que consegui entender foi muito satisfatório. :)

Vango Um Príncipe sem Reino

Vango Um Príncipe sem Reino

Falando sobre os dois livros de forma geral, achei que Vango é uma história intensa, cheia de personagens e que pode não agradar a todos os leitores – principalmente os mais jovens (e eu) para quem me parece que o livro é destinado. Ele se passa no período entre-guerras, e possui personagens que existiram de verdade, como Stalin, Hitler e o próprio comandante do Graf Zeppelin, Hugo Eckener. Por isso, é um livro que demanda muita atenção na leitura, e não pode ser feito “em uma sentada”, como dizem. Precisa ser absorvido, e eu acho que às vezes é preciso parar para pensar e compreender todos os fatos, que ocorrem simultaneamente.

De qualquer forma, pesando os prós e contras, eu não me arrependo de ter embarcado nessa aventura. Acredito que, no final das contas, o fato de eu ter me perdido na história é porque o próprio Vango estava perdido e desorientado em sua vida, e o rumo que os dois livros tomam nos levou a um final incrível. Apesar de ser arrastado, apesar de ter um milhão de personagens pra confundir e complicar a leitura, Vango ainda assim é uma história que vale a pena ser lida.

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1 comentário

  1. AMANDA ALMEIDA

    16.07.2018

    Oi Gabi, tudo bem?
    Esse livro parece ser bem interessante, com aquele tipo de história que mesmo que em alguns momentos seja bem lenta, no fim compensa e muito a leitura. Dica anotada.
    Abraços,
    Amanda Almeida

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